Reabertura da Biblioteca Pública de Évora

logo-GPE 

 

O Grupo Pro-Évora saúda a reabertura da Biblioteca Pública de Évora (BPE), no dia 15 do mês corrente, depois de concluídas importantes intervenções no edifício, nos sistemas técnicos e no património bibliográfico desta relevante instituição cultural eborense.

Encerradas as salas de leitura e de consulta do primeiro andar em Abril de 2019 e as restantes instalações em Agosto desse ano, a BPE beneficiou de obras de recuperação e renovação do exterior  e do interior do edifício, de instalação e melhoria de diversos meios técnicos, como a rede informática, os sistemas de segurança ou as estantes da casa forte, e de desinfestação dos milhares de monografias da Sala de Leitura Geral e da Sala Nova, entre outros conjuntos de livro antigo – esta última operação foi realizada na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), entidade que tutela a BPE e que dirigiu o conjunto das intervenções. Refira-se, no entanto, a descuidada intervenção na estética da fachada, especialmente nas grades das janelas. Ao longo destes quase dois anos, o empréstimo de obras para leitura domiciliária manteve-se, com o apoio do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e dos polos e juntas de freguesia que colaboram com a BPE.


A BPE não era objecto de obras profundas de reparação e conservação há cerca de oito décadas, assistindo-se a uma progressiva deterioração das condições físicas e funcionais em que prestava o seu serviço público, apesar de iniciativas pontuais de beneficiação que foram, entretanto, sendo levadas a cabo. Com as intervenções agora efectuadas, a BNP e a BPE responsavelmente contribuem para a afirmação de uma instituição identitária de Évora e para a vida cultural da cidade.


A bicentenária BPE é beneficiária do depósito legal desde 1931, o que lhe permite manter actualizado o seu acervo das publicações nacionais, valorizando não só as condições de consulta dos estudiosos que a ela recorrem, como também o seu serviço de leitura pública, dirigido à generalidade da população e crescentemente procurado.


Sendo uma das mais antigas e valiosas bibliotecas portuguesas, pela riqueza dos seus fundos antigos e pela constante actualização permitida pelo depósito legal, a BPE necessita de ver preenchido e mesmo alargado o seu quadro de pessoal, sem o que dificilmente poderá dar resposta cabal às exigências de uma instituição de cultura com as suas características – biblioteca erudita e de leitura pública, que constitui um factor único de afirmação cultural da cidade de Évora nos meios local, regional, nacional e internacional.


O Grupo Pro-Évora – que, desde a sua fundação em 1919, tem pugnado pelo reconhecimento dos valores institucional, funcional e simbólico da BPE –, ao saudar as recentes intervenções nesta Casa de Sabedoria (como o seu fundador, Frei Manuel do Cenáculo, a pensava), vem também chamar a atenção para a importância da realidade humana da biblioteca, sem a qual a materialidade, agora renovada, não ganha o estatuto de vitalidade cultural que, certamente, todos pretendemos.



Évora, 23 de Março de 2021.

A Direcção do Grupo Pro-Évora

Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo - Um Futuro Comprometido

 

MUSEU NACIONAL FREI MANUEL DO CENÁCULO - UM FUTURO COMPROMETIDO

 

Foi com expectativa que o Grupo Pro-Évora aguardou pela publicação do aviso de abertura do concurso internacional para o cargo de Director do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo (MNFMC). Anunciada para o primeiro trimestre de 2020, a publicação foi feita na edição do Diário da República de 29 de Maio (Aviso n.º 8441-D/2020), em conjunto com outros cinco Museus Nacionais, dois monumentos e um palácio, todos tutelados pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) – o provimento dos cargos é para um período de três anos. O resultado é desagradavelmente surpreendente.

 

No aviso, são indicados os orçamentos totais das instituições, que, no que se refere aos seis museus, estipulam verbas muito díspares: 342.290,38 euros para o museu eborense, 797.8764,62 euros para o Museu Nacional Grão Vasco e valores que oscilam entre 1.440.139,30 e 1.892.459,63 euros para os outros quatro museus (Museu Monográfico de Conímbriga-Museu Nacional, Museu Nacional de Arqueologia, Museu Nacional de Machado de Castro e Museu Nacional de Soares dos Reis). Refere ainda o aviso que a verba para programação corresponderá a 10% dos orçamentos indicados.

 

Interrogamo-nos como poderá o futuro director do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, com aquele orçamento, programar exposições permanentes, temporárias e itinerantes; contratar, eventualmente, os respectivos comissários; promover uma oferta diferenciada no âmbito do serviço educativo; cumprir um plano de comunicação; gerir as colecções, incluindo nesta tarefa estudo e investigação, incorporações, conservação, segurança; gerir o património edificado, incluindo a sua conservação, restauro e salvaguarda, entre várias outras obrigações que deverá cumprir, de acordo com os termos do concurso.

 

Bizarra parece ser também a forma como foram calculados os valores daqueles orçamentos: segundo foi noticiado pela agência Lusa, “são uma estimativa assente nos valores de 2019 e 2020, que servem para os candidatos terem uma ideia da ordem de grandeza do orçamento” que a DGPC facultará às instituições em causa. Se, no que respeita ao presente ano, a situação é absolutamente atípica, por força da pandemia corrente, no que se refere ao ano de 2019 igualmente atípica foi a realidade do museu eborense, pois foi nesse ano que a sua tutela passou da Direcção Regional de Cultura do Alentejo para a DGPC, prolongando-se uma indefinição nos prazos dessa alteração, com consequências negativas manifestas na sua realidade financeira.

 

Será, portanto, de toda a justiça rever substancialmente o orçamento previsto para o MNFMC, a menos que se pretenda asfixiar a instituição, podendo mesmo ficar comprometida a resposta ao concurso actual para a sua direcção, pois poderá haver quem desista de uma eventual candidatura face aos valores orçamentais irrisórios previstos.

 

Outra grave situação afecta presentemente o MNFMC, único Museu Nacional a sul do Tejo: está ele na iminência de não conseguir abrir as portas por falta de pessoal que garanta a recepção e a vigilância do espaço.

 

Depois de, em 2017, o Grupo Pro-Évora ter pugnado com êxito pela classificação do então Museu de Évora como Museu Nacional, evitando a sua municipalização, considerámos que “o reconhecimento do estatuto de uma das instituições mais emblemáticas do legado histórico e cultural da cidade de Évora impõe, agora, que a tutela garanta as condições necessárias à sua gestão, conservação e valorização, ultrapassando os constrangimentos que têm afectado a vida do Museu”, como se lia no nosso comunicado de 1 de Março desse ano.

 

O Grupo Pro-Évora vem, uma vez mais, chamar a atenção dos responsáveis e da opinião pública para a urgência de corrigir a suborçamentação prevista, que compromete a actividade de uma instituição de cultura digna do maior respeito, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo.

 

Évora, 11 de Junho de 2020.

 

A Direcção do Grupo Pro-Évora

 

1919-2019

image

"Em 16 de Novembro de 1919 foi formalmente fundado o Grupo Pro-Évora. Até hoje, somam-se mais de cem anos de actividade em defesa do património e de valores culturais da cidade de Évora." A Direcção

 

Juntos pelo Divor