Classificação da Cartuxa de Évora
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- Criado em 01-09-2020
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O Grupo Pro-Évora propôs a classificação de todo o conjunto do Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (Cartuxa de Évora) como Monumento Nacional, tendo feito a entrega da documentação necessária na Direcção Regional de Cultura do Alentejo na quinta-feira, dia 27 de Agosto. O Grupo visa a salvaguarda material e simbólica de todo o conjunto monástico, do qual os últimos monges da Ordem da Cartuxa em Portugal, os “monges brancos”, se despediram no início de Outubro de 2019.
Em 1916, a Igreja do Convento da Cartuxa de Évora foi classificada Monumento Nacional. O Grupo Pro-Évora pretende alargar a classificação a todo o conjunto arquitectónico monástico, ao património móvel e integrado existente (pintura, estatuária, heráldica, azulejaria, talha, mobiliário, espólio da Livraria) e à área do deserto monástico, de 78 hectares (a cerca do Mosteiro, que inclui uma mata de eucaliptos, um sofisticado sistema hidráulico, que integra um troço do Aqueduto de Água de Prata, uma Arca d’Água, vários tanques de alvenaria, uma nora de grandes dimensões, diversos poços e ainda pequenas arquitecturas de lazer), que se propõe como Zona Especial de Protecção do conjunto monumental.
O GPE fez acompanhar o Requerimento Inicial do Procedimento de Classificação de uma declaração de apoio subscrita por personalidades de reconhecida competência nas áreas envolvidas – Artur Goulart de Melo Borges, Aurora Carapinha, Elsa Caeiro, Francisco Bilou, Joaquim Oliveira Caetano, José Aguiar, Manuel Branco, Maria de Jesus Monge, Marta Oliveira, Miguel Soromenho, Nuno Lecoq, Vítor Serrão.
Propriedade da Fundação Eugénio de Almeida, o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli é uma das mais notáveis obras do renascimento português, da autoria do arquitecto Giovanni Vincenzo Casale, e foi o último mosteiro contemplativo masculino em Portugal.

Galeria sudoeste do eremitério de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018

Jardim do eremitério de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018.

Interior da Cela V de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018
Património Arqueológico e Práticas Agrícolas
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- Criado em 23-09-2020
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O Grupo Pro-Évora vem expressar publicamente a sua preocupação com a recente destruição da Anta da Herdade do Vale da Moura 1, em Torre de Coelheiros, no âmbito de movimentações de solos ocorridas para plantação de amendoal em regime intensivo. A destruição deste património arqueológico, de finais do período neolítico ou do calcolítico, ocorreu neste Verão, apesar de os responsáveis pela plantação naquela propriedade (arrendada) estarem informados da sua existência – o caso foi objecto de uma queixa-crime apresentada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo ao Ministério Público de Évora.
O monumento megalítico funerário agora destruído consta do Inventário Arquitectónico e Arqueológico do Plano Director Municipal de Évora, sendo considerado de reconhecido valor “a classificar”.
No início do ano de 2019, o Grupo Pro-Évora promoveu diversas conversas públicas sobre questões ligadas ao domínio da Arqueologia e alertou para “o grande número de destruições ou afectações de património arqueológico, provocadas por revolvimentos de solos de grande profundidade e extensão”, associados ao incremento de culturas intensivas: “a dimensão deste problema é tão grande e tão grave quanto é o tradicional distanciamento existente entre os mecanismos de defesa do património e a actividade agrícola, para a qual não existem mecanismos de controlo prévio. Os próprios regimes de protecção previstos nos Planos Directores Municipais carecem de maior agilidade e de colocação em prática”, como então escrevemos.
O acréscimo de actividade agrícola, propiciado pela barragem do Alqueva e pelo alargamento do seu perímetro de rega, não pode ocorrer sacrificando recursos naturais ou patrimoniais não renováveis. O Grupo Pro-Évora apela ao reforço do controlo administrativo por parte do Estado, em particular do Ministério da Cultura, mas também do Município de Évora, de forma a evitar novas ocorrências.
Évora, 23 de Setembro de 2020.
A Direcção do Grupo Pro-Évora
1919-2019

"Em 16 de Novembro de 1919 foi formalmente fundado o Grupo Pro-Évora. Até hoje, somam-se mais de cem anos de actividade em defesa do património e de valores culturais da cidade de Évora." A Direcção
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