Significado do busto do Dr. Barahona
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- Criado em 08-12-2009
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No Jardim de Diana
A remoção do busto do Dr. Francisco Barahona (1843-1905) do lugar central que ocupa no Jardim de Diana, prevista no projecto do Arq.º Nuno Lopes, não pode ignorar o simbolismo que ele representa para a cidade de Évora. Não se trata de uma simples alteração da sua localização, como, à primeira vista, poderá parecer.
Destacado benemérito da cidade de Évora, algum tempo após a sua morte, em 25 de Janeiro de 1905, foi criada uma comissão para a preservação da sua memória, através da realização de um busto, a colocar em local nobre da cidade. Em 25 de Janeiro de 1908, com grande participação da população, foi inaugurado o monumento, da autoria do escultor Simões de Almeida (sobrinho) e do arquitecto Alfredo Costa Campos. Além do busto, o monumento integra, como símbolo principal, a figura de Liberalitas Júlia, personificação da designação romana de Évora. Nele se lê: Ao / Dr. Barahona / por / Subscrição Pública / 1908; e ÉVORA RECONHECIDA.
De acordo com a edição comemorativa do centésimo aniversário da morte de Francisco Barahona, CME 2005, «Milhares de pessoas contribuíram para esta subscrição pública, desde o rei D. Carlos até aos mais humildes habitantes de Évora. Foi, igualmente, avultado o número de operários da construção civil que se inscreveram com dias de trabalho. (…) O monumento foi descerrado por Augusto Eduardo Nunes [Arcebispo de Évora], que terminou o seu discurso do seguinte modo: - Cumpriste o vosso dever! Obrigado, eborenses.»
A centralidade que este monumento ocupa no Jardim de Diana não é, como se constata, fruto de simples opções estéticas, mas representa o reconhecimento e a intenção de perpetuação da memória de uma personalidade a quem a cidade muito deve – além das muitas acções de beneficência, deve-se à intervenção de Francisco Barahona a restauração da Ermida de S. Brás, a reparação do Aqueduto da Água da Prata, a construção do Mercado e do Balneário, a fundação da banda dos Amadores de Música Eborense, a fundação do jornal Notícias de Évora, doação da sua colecção de estatuária ao Museu de Évora e um contributo decisivo para a edificação do Teatro Garcia de Resende, entre outras iniciativas de apoio mecenático.
A colocação do monumento num lugar secundário pode constituir, pelo exposto, um exemplo de degradação paulatina da memória da cidade.
Dezembro de 2009
A Direcção do Grupo Pro-Évora
Projecto descaracteriza elementos fundamentais
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- Criado em 07-12-2009
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O Grupo Pro-Évora considera que o projecto para a Acrópole de Évora e zona envolvente, a realizar-se, constitui uma intervenção muito profunda e agressiva, que não tem em consideração a memória, a topografia e as funcionalidades do local. Por isso o GPE recomenda o alargamento público da discussão sobre este projecto e irá promover sessões de esclarecimento sobre este tema – a primeira realizar-se-á no próximo dia 12 de Dezembro, com a presença do Professor Gonçalo Ribeiro Telles e da Arq.ª Margarida Cancela de Abreu, estando também convidado o autor do projecto, o Arq. Nuno Lopes.
Os aspectos que se afiguram mais importantes e que importa reconsiderar são, para o GPE os seguintes:
1 – O projecto privilegia uma uniformização cénica do espaço da Acrópole, transformando-o em praça/plataforma nivelada e descaracterizando-o enquanto espaço convivencial, especialmente por força da destruição do Jardim de Diana.
2 – A destruição do Jardim de Diana e a sua substituição por uma plataforma lajeada de granito retira a este espaço as funções de lazer que tem desempenhado e que são fundamentais para a cidade que se quer viva e humanizada pelos seus habitantes. A localização da cafetaria proposta colide com a função de abertura espacial ampla que o miradouro e o próprio jardim têm actualmente, anulando-as. Também o espelho de água não deve ser obstáculo à fruição da paisagem para quem visita o local, nem zona restrita para os utentes da cafeteira.
3 – A substituição dos pavimentos calcetados e do terreiro do jardim por lajeamento de granito tem vários e sérios inconvenientes: demasiada impermeabilização do solo (o escoamento de águas pluviais passa a ser artificial), sem o estudo nem o conhecimento das consequências que poderá causar em toda a área circundante; completa desadequação às condições climáticas do local, especialmente nas épocas de calor intenso; inconvenientes de ordem higiénica decorrentes da impossibilidade em manter os pavimentos limpos (como se verifica nos casos já existentes na cidade).
4 – A geometrização do espaço desfigura a imagem tradicional do local e destrói a sua carga simbólica, descaracterizando-o e tornando-o banal e semelhante a muitas outras intervenções noutras cidades. Uma qualificação deste espaço tem que evitar a sua descaracterização.
5 – Os desnivelamentos do terreno propostos no projecto através de escadas e plataformas destroem a configuração da colina, tornando o espaço estereotipado, anulando uma das singularidades emblemáticas do local e da cidade.
6 – Especialmente na zona do Templo Romano e seu espaço envolvente, que é o local de maior carga simbólica e emblemática da cidade, o projecto ignora e desvaloriza a sua história. A única vantagem do actual projecto reside no abandono do projecto de parque de estacionamento automóvel subterrâneo sob o Jardim de Diana (que constava do projecto original), o que reforça precisamente a importância da manutenção do Jardim e a pedonalização de toda a área envolvida.
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1919-2019

"Em 16 de Novembro de 1919 foi formalmente fundado o Grupo Pro-Évora. Até hoje, somam-se mais de cem anos de actividade em defesa do património e de valores culturais da cidade de Évora." A Direcção
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